“Deus, considerado como Pai, tem a Natureza por Filha.
Como Espírito Santo, Ele regenera e fecunda a Humanidade.”
Éliphas Lévi
“Deus, considerado como Pai, tem a Natureza por Filha.
Como Espírito Santo, Ele regenera e fecunda a Humanidade.”
Éliphas Lévi
“Você acredita que estou lhe torturando quando lhe peço superações. Eu estou lhe dando sabor, para que possa misturar com “arroz e tempero” e ser a fascinante vitalidade de um Ser Humano.”
Rumi
“Não é preciso sair de casa.
Fique sentado à sua mesa e ouça.
Nem é preciso ouvir, espere simplesmente.
Nem é preciso esperar, apenas aprenda a ficar sozinho, em silêncio.
O mundo vai se oferecer espontaneamente a você para ser revelado.
Sem escolha, ele se desdobrará em êxtase a seus pés.”
Franz Kafka
“A coisa mais importante é o aqui e o agora. Este é o momento eterno, e se não o percebes, perdeste a melhor parte da Vida, perdeste a percepção de que és o portador de uma Vida contida entre os pólos do um futuro inimaginável e de um inimaginável e remoto passado. Milhões de anos e incontáveis milhões de antepassados trabalharam para este momento, e tu és o cumprimento deste momento.”
Jung
O Aprendiz diz:
Misteriosos são os desígnios da Vida.
O Mestre, ao inciar o Aprendiz no Caminho, o instrui:
Develai o Mistério e extrairá dele a Simplicidade da Existência
Indaga o Inspirado Mestre de Sabedoria: Genuinamente buscas o Conhecimento que produz a Grande Liberação? Então, deverás percorrer o Caminho do Conhecimento Profundo. Este é o Caminho que requer a abstenção da erudição vaidosa com a qual nos vestimos para impressionar os que estão a nossa volta. Deverás, portanto, adotar como prática de vida a atitude de curiosidade e simplicidade de uma criança. Trabalharás diária e laboriosamente para cultivar um profundo silêncio mental. No mais íntimo de teu Ser, incansavelmente, reverenciarás Aquele que Inspira e Instrui a tua Alma. Disciplinada e cotidianamente, exercitarás o aprofundamento dos teus estados meditativos. Permanecerás em continuada e refletida observância acerca de como os fatos da vida cotidiana toca as profundezas de teu ser. Assim procedendo, permanecerás no Caminho que buscas e conhecerás que a Alma Vivente de todas as coisas estão entrelaçadas e num profundo processo colaborativo a serviço do Uno.
“O Homem nada sabe; mas é chamado a tudo conhecer, assim, quando os ouvidos do discípulo estão preparados para ouvir, vêm os Lábios para enchê-los com Sabedoria.”
Hermes Trimegistus
Sou Filho da Grande Mãe Natura, assim como o Carvalho, o Lobo e a Rosa. Viventes neste Planeta Pai Mãe. A sinergia amorosa entre todos nós sustenta e alimenta a continuidade da grande Teia da Vida.
“(…) Ainda tenho diante dos olhos a imagem da minha primeira noite de voo na Argentina, certa noite escura em que cintilavam, como estrelas, as raras luzes dispersas na planície.
Cada uma assinalava, no oceano de trevas, o milagre da consciência. Naquela casa, liam, pensavam, trocavam confidências. Em outra, talvez, sondavam o espaço, quebravam a cabeça em cálculos sobre a nebulosa de Andrômeda. Ali, amavam. De longe em longe, aquelas lareiras piscavam no campo, exigindo seu alimento. Até as mais discretas, como a do poeta, a do professor, a do carpinteiro. Mas entre aquelas estrelas vivas quantas janelas fechadas, quantas estrelas apagadas, quantos homens adormecidos…
Precisamos ousar uma aproximação. Precisamos tentar comunicarmo-nos com algumas das luzes que ardem de longe em longe no campo.”
Saint-Exupéry
Vós sois a luz do mundo
Quando a tua sensibilidade acorda e toca consciente e amorosamente tudo a sua volta.
Quando o teu Ser, generosamente, acolhe as dores do mundo, porém, sem se misturar a elas,
uma vez que ao se misturar, a alma se torna refém de um sofrimento atroz que imobiliza o
discernimento e as abençoadas ações.
Quando a tua boa vontade se transforma em bem aventurança e te conduz para a superação
do impossível.
Quando as tuas palavras e atitudes pacificadoras diluem os véus densos das densas sombras
que encobrem o discernimento do Espírito.
Quando as tuas ações acolhem e protegem a onda da vida que se manifesta em todas as
formas viventes.
Quando mesmo ferido e tendo razões para desconstruir, numa atitude de responsabilidade
individual, tua luz interna prepondera e alquimiza as emoções negativadas, transformando-as
em experiências de superação.
Quando decides que será continuadamente um ser que trabalha ardorosa e conscientemente
sobre si mesmo, sabendo que o seu progresso genuíno auxilia no sustentar da grande teia da
vida.
Enfim, enquanto existir em ti o aprendizado ininterrupto das coisas da Alma serás a luz de si
mesmo, de tudo aquilo que o rodeia e que se expande para o Infinito…
Que animados, sustentados e abençoados sejamos pelas luzes do espírito discernido que
habita em nosso íntimo.
Que possamos cada vez mais compreender que todos os Seres que habitam o Planeta fazem
parte de uma grande Família Cósmica. Que a amorosidade intrínseca de cada Ser possa conter,
proteger e estimular os ímpetos evolutivos da vida.
De tempos em tempos o Planeta Terra convulsiona, seja através de seus processos naturais, seja através das ações desmedidas do Homem sobre Ela, seja através dos infortúnios arquitetados por seres Pré Humanos, cheios de ganância, arrogância e desejo de poder a qualquer custo. Independentemente de onde provenha o desalinho e os perigos mortais ou não deste momento, penso que se faz necessário arrancarmos forças e confiança das profundezas de nosso Ser para mantermos o equilíbrio e a serenidade para que não sejamos tão somente o não transmissor de um agente biológico. Necessitamos, sobretudo, não nos tornarmos transmissor de um patógeno psíquico. Este sim tem o poder de causar danos que não tem prazo de validade em reverberação. O contágio psíquico pode ser infinito e devastador. Ou seja, mesmo cessando o perigo real pode continuar fazendo vítimas emocionais que não conseguem se restabelecer, pois, ficam congeladas em suas próprias memórias de medo.
Não podemos, em hipótese nenhuma, sermos displicentes ou negligentes neste momento, porém, também não podemos engrossar a fila daqueles que proclamam uma tragédia desmedida. Precisamos de equilíbrio. Precisamos considerar uma das Leis Universais mais extraordinária do Universo: a Lei da Vibração. Esta Lei postula que “Nada se encontra parado. Que tudo se movimenta. Que tudo vibra”. Traduzindo, isto quer dizer que tudo aquilo que chamamos de Luminoso ou Sombrio; Bom ou Mal; Fortúnio ou Infortúnio; Medo ou Confiança; Esperança ou Desesperança… se movem por igual. Mas, então, se tudo se move por igual o que faz acontecer a preponderância de um sobre o outro? Os Grandes Mestres de Sabedoria nos responderiam que isto ocorre por várias razões, porém, sobretudo, por duas razões especiais: pela forma como a Mente Humana se move e pelas atitudes concretas decorrentes de como a nossa Mente se Move. Diante deste Conhecimento tão peculiar nos fica a seguinte questão: a forma como cada um de nós está se movendo desde há muito tempo e, particularmente, neste momento está otimizando qual polo da Onda? Estamos nos equilibrando individualmente para que o coletivo não colapse e, de fato, o infortúnio deste momento seja passageiro ou estamos auxiliando a amplitude da Onda pela forma como estamos manejando as nossas mentes, as nossas emoções e a nossas atitudes? Creio que tudo isto merece uma acurada reflexão.

Todos nascemos com um quantum mínimo de consciência diferenciada. O extraordinário desafio existencial é, gradualmente, acordar e exercitar uma forma muito especial de percepção que nos permite transcender a ideia de separatividade e nos transportar para a experiência direta da Unidade que existe na Teia da Vida.

O Bisão (Búfalo), simbolicamente, nos solicita: Orem/Meditem/Concentrem-se na Harmonia e Paz entre Todos os Seres. Representa a Criatividade da Terra, a Abundância, o Conhecimento da Alma da Natureza, a Generosidade, a Hospitalidade, o Compartilhamento de Trabalho, a Coragem, a Proteção e a Força necessária para vencer os desafios pelos quais passamos, a Formulação de Planos Benéficos que atendem a todos, de conformidade com a medida de cada um. Nos convida a andar pelo Caminho Sagrado, honrado. Nos convida a ajudar a estabelecer uma profunda conexão com a Mãe Terra e o Pai Céu para que possamos ser co-criadores em todos os processos da Vida no Planeta.
Lenda da Mulher do Búfalo Branco – Esta Lenda existe há mais de 2000 anos e é originária da Nação Lakota, um dos povos mais relevantes dos chamados Turtle Islands, na América do Norte.
Conta a Lenda que a Mulher do Búfalo Branco apareceu em nosso Mundo durante um período de muita fome, de guerras e desavenças entre vários povos. A história se inicia com dois jovens Lakota, dois guerreiros que passeavam com seus cavalos magros buscando algo para caçar quando, de repente, vislumbraram no horizonte uma figura feminina envolta em uma luz cálida, em uma bruma de fascinantes clarões de luz.
A Mulher estava acompanhada de um Filhote de Búfalo Branco. Era alta, esbelta e usava um vestido com bordados sagrados, uma pluma no cabelo e folhas de sálvia na mão. Era muito bonita, tanto que um dos jovens guerreiros não hesitou em aproximar-se com o desejo de tê-la sensualmente para si. No entanto, e antes que pudesse sequer tocar a sua pele, uma nuvem escura pairou sobre ele disparando um raio de fogo. Ficou carbonizado em poucos segundos.
O outro jovem guerreiro se ajoelhou imediatamente, aterrorizado, entendendo que teria o mesmo destino. No entanto, para sua surpresa, a bela Mulher tocou seus cabelos e, falando em seu idioma, lhe disse que era uma Wakan (O Grande Espírito, O Grande Mistério, O Sagrado, Aquela que Conhece os Mistérios da Criação) e que tinha vindo para auxiliá-los.
A Mulher Sagrada foi recebida com muita reverência no Povoado Lakota. Em reconhecimento a sua Presença Sagrada, prepararam-lhe a melhor tenda, ofertaram-Lhe o que tinham de mais precioso: algumas raízes, alguns insetos, ervas secas e água fresca e, ao acomodá-la no interior, a manhã se transformou em crepúsculo e uma luz de cor âmbar com raios rosados envolveu aquelas Terras por onde se estendiam a fome e a miséria. Depois disso, a Mulher Búfalo Branco os chamou para dar voltas ao redor das tendas para honrar o Sol, para criar um círculo de força com a Vida e agradecer. Mais tarde, apresentou-lhes uma série de práticas espirituais, formas de Reverenciar a Natureza, orando com palavras corretas e proferindo ritos ancestrais que o Povo Lakota já havia esquecido completamente.
E, mesmo já o povo havendo esquecido os Conhecimentos de Sabedoria, Ela os convidou a entoar cânticos para fazer a Terra Feliz. Melodias, versos e entonações que deveriam ser dirigidas às quatro direções do Universo. Lembrou também a importância de se praticar a Cerimônia do Cachimbo da Paz, onde homens e mulheres deveriam se reunir para honrar as suas almas, para honrar o próprio grupo e a sua União com o Universo.
A Mulher do Búfalo Branco se despediu indicando-lhes que enquanto fizessem todas estas cerimônias sagradas e cuidassem da Terra, Ela os protegeria. Antes de partir, trouxe do horizonte uma extensa manada de búfalos preto. Eram tantos que as montanhas se cobriram de escuridão e o solo tremia debaixo dos pés. O mundo bombeava novamente uma renovada força frente à chegada desses animais que representava a sobrevivência para os nativos americanos. E, a partir deste dia, o búfalo passou a fornecer alimento para as pessoas, pele para suas roupas e tendas e ossos para todas as suas ferramentas. Ao partir, a Mulher do Búfalo Branco se despediu dizendo: Eu os verei novamente.
A tua alma se agita com os desafios inevitáveis da vida? A minha também.
O teu coração está triste pelos afetos postergados e, hoje, impossibilitados de serem expressos? O meu também.
Os teus pensamentos tecem diálogos infindáveis que desarmonizam o teu espírito? Os meus também.
O teu querer te lança dolorosa e interminavelmente em muitas direções sem nada ter clareza? O meu também.
Os teus dias são marcados por experiências que gostaria de evitar? Os meus também.
O teu desejo te faz desejar atravessar o tempo e o espaço e ter a oportunidade de mudar lá mesmo o que já está posto? O meu também.
A tua memória te faz, reiteramente, experenciar um oceano tempestuoso de feitos dolorosos? A minha também.
A… A minha também…
O teu Ser deseja tudo isto alquimizar? O meu Ser, ardentemente, também.
Então, o que? como fazer?
Somente o Silêncio mais profundo das profundas profundezas da Vida irá nos responder.

Deseja ser tocado pelo inusitado que lhe abre novas possibilidades perceptivas? Então, navegar é preciso. É necessário arriscar o soltar das amarras que te mantem seguro em terrenos já conhecidos. É imprescindível confiar em suas asas frágeis. É vital confiar no fino tecido da eternidade que te ampara e te lança para novos aprendizados.

Olhando para a Terra consigo ver Seres exercitando a amorosidade. Consigo ver Seres superando barreiras impostas por crenças limitantes. Consigo ver Seres realizando esforços genuínos para fazer nascer a tolerância sem conivência para com as limitações. Consigo testemunhar a expressão cotidiana de uma dimensão humana mais diferenciada. Consigo sentir uma onda de boa vontade evolutiva prestes a se tornar ação no mundo…

Naturezas e diferenças inconciliáveis? Só se assim o desejarmos para justificar as nossas necessidades.

Contemple! Aproxime-se atentamente dos eventos que a vida cotidiana inesperadamente lhe apresenta. As experiências diretas em tempo oportuno (Kairós) ilumina o entendimento e confere algum grau de sabedoria ao agir.

Você acredita que estou lhe torturando quando lhe peço superações. Eu estou lhe dando sabor, para que possa misturar com “arroz e tempero” e ser a fascinante vitalidade de um Ser Humano.
Rumi

“Não é preciso sair de casa. Fique sentado à sua mesa e ouça. Nem é preciso ouvir, espere simplesmente. Nem é preciso esperar, apenas aprenda a ficar sozinho, em silêncio. O mundo vai se oferecer espontaneamente a você para ser revelado. Sem escolha, ele se desdobrará em êxtase a seus pés.”
Franz Kafka

“A coisa mais importante é o aqui e o agora. Este é o momento eterno, e se não o percebes, perdeste a melhor parte da vida, perdeste a percepção de que és portador de uma vida contida entre os pólos de um futuro inimaginável e de um inimaginável e remoto passado. Milhões de anos e incontáveis milhões de antepassados trabalharam para este momento, e tu és o cumprimento deste momento.”
Jung
Indaga o Inspirado Mestre de Sabedoria: Genuinamente buscas o Conhecimento que produz a Grande Liberação? Então, deverás percorrer o Caminho do Conhecimento Profundo. Este é o Caminho que requer a abstenção da erudição vaidosa com a qual nos vestimos para impressionar os que estão a nossa volta. Deverás, portanto, adotar como prática de vida a atitude de curiosidade e simplicidade de uma criança. Trabalharás diária e laboriosamente para cultivar um profundo silêncio mental. No mais íntimo de teu Ser, incansavelmente, reverenciarás Aquele que Inspira e Instrui a tua Alma. Disciplinada e cotidianamente, exercitarás o aprofundamento dos teus estados meditativos. Permanecerás em continuada e refletida observância acerca de como os fatos da vida cotidiana toca as profundezas de teu ser. Assim procedendo, permanecerás no Caminho que buscas e conhecerás que a Alma Vivente de todas as coisas estão entrelaçadas e num profundo processo colaborativo a serviço do Uno.

“O Homem nada sabe; mas é chamado a tudo conhecer, assim, quando os ouvidos do discípulo estão preparados para ouvir, vêm os Lábios para enchê-los com Sabedoria.”
Hermes Trimegistus

Sou Filho da Grande Mãe Natura, assim como o Carvalho, o Lobo e a Rosa. Viventes neste Planeta Pai Mãe. A sinergia amorosa entre todos nós sustenta e alimenta a continuidade da grande Teia da Vida.
“(…) Ainda tenho diante dos olhos a imagem da minha primeira noite de voo na Argentina, certa noite escura em que cintilavam, como estrelas, as raras luzes dispersas na planície. Cada uma assinalava, no oceano de trevas, o milagre da consciência. Naquela casa, liam, pensavam, trocavam confidências. Em outra, talvez, sondavam o espaço, quebravam a cabeça em cálculos sobre a nebulosa de Andrômeda. Ali, amavam. De longe em longe, aquelas lareiras piscavam no campo, exigindo seu alimento. Até as mais discretas, como a do poeta, a do professor, a do carpinteiro. Mas entre aquelas estrelas vivas quantas janelas fechadas, quantas estrelas apagadas, quantos homens adormecidos…Precisamos ousar uma aproximação. Precisamos tentar comunicarmo-nos com algumas das luzes que ardem de longe em longe no campo.”
(Saint-Exupéry)
O CÍRCULO DO DESTINO
O VOO PARA KAILASH
Garuda transporta o deus Vishnu sobrevoando os picos nevados do Himalaia, até o monte Kailash, morada do Deus Shiva.
COMOVENTE BELEZA
Enquanto espera seu senhor fazer a visita ao deus Shiva, Garuda avista um passarinho lindíssimo pousado num arbusto perto dali. Comovido diante de tanta beleza, mal consegue acreditar que possa existir uma criatura como aquela.
A VISÃO DA MORTE
Yama, deus da morte, chega montado em seu búfalo. Há algo errado em seu livro de registros e ele quer esclarecer o assunto com Shiva, deus da destruição. Vê o passarinho e o perscruta.
O DILEMA DE GARUDA
A expressão do deus Yama lança Garuda em desespero. Ele pensa: “Quando o deus da morte olha desse modo para uma criatura, só pode ser indício de que a hora dela chegou.” Garuda quer salvar o passarinho da morte. Uma parte dele diz que não é
prudente lutar contra a vontade dos deuses, a outra parte não admite que ele permaneça inerte, sem fazer alguma coisa. Garuda fica perturbado.A COMPAIXÃO VENCE A SABEDORIA
Finalmente o sopro da compaixão triunfa sobre a certeza do saber. Garuda resolve salvar a vida do passarinho, ao mesmo tempo pedindo aos deuses que o perdoem. E ele leva o passarinho embora, para uma floresta distante.
O LUGAR ESCOLHIDO
Garuda deixa o passarinho num lugar seguro, pousado numa árvore diante de um eremitério. Satisfeito com a sua boa ação, volta voando para as montanhas.
GARUDA PRECISA SABER
Logo ao chegar, Garuda encontra Yama, deus da morte, que acaba de sair da morada do deus Shiva. Sem conter a curiosidade, o pássaro gigante pergunta a Yama porque tinha olhado para o passarinho de maneira tão estranha.
O DEUS DA MORTE RESPONDE
Yama responde que ficara surpreso por ver a pequena ave perto das montanhas. De acordo com seus registros, o passarinho deveria estar numa floresta, numa árvore perto de um eremitério. Um píton deveria devorá-lo, e ele renasceria no eremitério. Mas, como as manobras da sorte estão acima até do deus da morte,
resolvera deixar que o destino se ocupasse do assunto.O CÍRCULO DO DESTINO
Yama se foi, e suas palavras ficaram pesando como pedras no estômago de Garuda. Então o pássaro gigante deu-se conta da verdade: O mundo é um círculo infinito, em que tudo tem um tempo e um lugar. Mesmo algo de extrema beleza chega necessariamente a um fim e renasce como algo diferente. Existe uma ordem. Se você quiser muda-la, será preciso agir de acordo com o que seu coração dita. Mas, no fim, é você que pertence a ordem. Ela não pertence a você.
Dormentes em Seu Ventre, infinitas possibilidades anseiam por se expressar. Tudo jaz numa quietude sem fim. Um profundo Silêncio cobre o Infinito inteiro à semelhança de um fino véu. Nada que se move parece existir. De tão magna latência poderia algo eclodir? Fiat Lux! O Grande Ventre pariu. A latência gerou o movimento. A quietude cantou Hinos de Louvor à Criação.
O Silêncio pronunciou os Iluminados Versos de Sabedoria. O que era estático fez a ação se expressar. O Ventre inteiro se ofereceu como Naturezas Realizadoras e Encontrou na própria Criação a continuidade de sua Eternidade.
Desde tempos perdidos no Tempo as mais diferentes formas de Vida movem-se numa espiral ascendente. Ao se moverem, os Seres deixam atrás de si um caminho eterno de experiências e constróem à sua frente o Reino Materializado das Infinitas Possibilidades do Vir a Ser. As Memórias Vivas de todos os Seres que nos antecederam faz acontecer um terreno arqueológico que lastreia a sustentabilidade e a continuidade da vida. Criam as linhas de ação para a construção de um “tempo’’ que convencionamos chamar de futuro. No cerne desta Memória Viva pulsa intensamente o mais extraordinário de todos os impulsos: o ímpeto para migrar de um estado potencial para uma condição de existência realizadora, “materializada”.Em assim sendo, o movimento vivo da vida cumpre a grandiosa tarefa de arrancar da potencialidade a potência realizadora, materializante do Criador. Este processo foi intuido pelos Seres diferenciados de todas as épocas e, hoje, é entendido como a Grande Jornada da Alma ou a Jornada do Herói. A Jornada daquele que, consciente e bravamente, caminha, realiza, alquimiza as densas sombras, extraindo delas a radiante Luz do Espírito.
Estes Seres Diferenciados ou, também, conhecidos como os Grandes Sábios de todos os tempos (Os Amados Filhos de Sophia), conseguiram realizar uma síntese inquebrantável entre intuição e experiência direta. Desta Síntese nasceram as mais diferentes e extraordinárias narrativas acerca do Sagrado e de sua Manifestação no Mundo Sensível e, para que estas narrativas fossem compreensíveis ao entendimento, os Sábios de cada Era criaram metáforas, parábolas, alegorias, contos, mitos, fábulas, escrituras sagradas que pudessem conter preservado o Conhecimento Vivo que instrui o Aprendiz do Caminho.
Todo este extrordinário contexto criou o palco da vida, onde cada Ser encena a sua singular existência, gerando experiências ímpares que, gradualmente, vão tecendo as sublimes malhas da existência cósmica e terrestre. Todo este processo é, segundo as mais diferentes narrativas, orquestrado por Sophia.
Nas Escrituras Cristã, Sophia está presente desde os fundamentos da construção do Mundo e nos exorta a ouvi-la: “Convertei-vos com a minha correção; vou espalhar sobre vós o meu espírito, vou ensinar-vos a minha doutrina (Provérbios 1:23). Em continuidade, Provérbios 8:29-32, Sophia prossegue nos dizendo: “quando (Deus) assentava os fundamentos da Terra, eu estava com Ele, regulando todas as coisas; e cada dia me deliciava, brincando continuadamente diante Dele, brincando sobre o globo da Terra e achando as minhas delícias em estar com os filhos dos homens. Agora, pois, filhos, ouvi-me: Bem Aventurados os que guardam os meus Caminhos”.
Sophia materializa um sublime e, ao mesmo tempo, sombrio palco existencial onde o Homem, por ser portador da centelha do discernimento, ocupa um papel de relevância. O Homem é irremediavelmente Chamado a realizar a Magnífica Obra do Mistério da Conexão Consciente entre o Sagrado e o Mundo que dele emanou. O Homem é Convocado a Ser a Justa Medida entre o Céu e a Terra.
Você está convidado a percorrer este caminho de reflexões e aprofundamento dos desígnios da Jornada conosco.
Sejam todos bem-vindos!
Cris Albuquerque