Mestre! Ouço os sinos tocarem!

O que anunciam? Será um grande sonho, uma grande visão?

Ouço os sinos tocarem, Mestre!

Que mãos o tocam?

O que anunciam?

Estariam me convocando para algum Ministério? Para algum Ofício?

Percebo que Algo se moveu dentro de mim. Sinto a sua presença!

Fareja no âmago de meu Ser as suas possibilidades de expressão…

Mestre! Cadê o canto do galo ao longe? Como despertar?

Cadê a presença Daquele que colocou dentro de mim uma brasa,

um breve brilho de imortalidade que eu poderia transformar em labaredas

mas que se apagam pelo esquecimento de Sua Presença…

e, assim, morro pela tortura da experiência de uma profunda aridez e solidão existencial?

Esta seria a honra que o homem carrega por ser um pequeno mundo inteiro

dentro de si mesmo?
Por ter terremotos existenciais, transformados em tremores que fazem

as pernas vergarem e bambearem diante da vida?

Por ter relâmpagos que brilham como fogos fátuos e nada permitem ver com clareza?

Por ter trovões que provocam ruídos ensurdecedores que ocultam as palavras reveladoras da Alma?

Por ter eclipses que ofuscam e escurecem o discernimento?

Por ter estrelas flamejantes em exalações inflamáveis dentro de si que reduz tudo a cinzas?

Por ter rios de sangue que deveriam nutrir a vida

Mas que se tornam tão somente águas vermelhas anêmicas?

Sinto que tudo isto é como se pudéssemos tornar o fogo mais firme ao borrifar água sobre as brasas, ou aprisionar a febre alta em fria melancolia de forma que a febre sozinha não pudesse destruir tudo tão rapidamente sem esta contribuição.

Quanta Inconsistência perplexa! Miserável esta condição de homem

inconsciente de si mesmo!

Mestre! Diante dos sinos que tocam por todos, posso eu tocar o meu próprio instrumento?

Posso eu compor a minha singular melodia?

Pois, sinto que a ascensão que tanto busco é a medida e o ritmo

de minha própria Alma!